Mas eu me mordo de ciúme...






“Eu voltei, voltei para ficar”... E voltei para falar de temas polêmicos, como o ciúme e a inveja... Vamos lá:


O ciúme e a inveja tem sido assunto universal desde os primórdios da literatura mundial. Tema recorrente das novelas e folhetins, seu grande clássico remete à obra “shakespeareana” Othello, the Moor of Venice, traduzindo para o português: Otelo, o Mouro de Veneza.

Considerada como uma das mais importantes peças de teatro de William Shakespeare, escrita por volta de 1603, a obra, que gira em torno da traição e da inveja, tem como mensagem central a fraqueza humana.

Otelo, personagem principal da trama, tem o foco no ciúme: É fraco por não acreditar que possui qualidades para manter ao seu lado uma mulher jovem e bonita como Desdémona e, por ciúme, a mata injustamente.

Já Iago é contemplado pela face mordaz da inveja, pois não suporta perder sua posição no exército. Ao se tornar subordinado à Otelo, ocupando o cargo de alferes, Iago manifesta a profunda paixão do ódio contra o patrão, uma vez que esta posição lhe é um martírio.

Assim o casal romântico da trama, Otelo e Desdêmona, se tornam vítimas da maledicência de Iago. Iago semeia a dúvida e mina a confiança de Otelo, que se vê preso à paixão do ciúme. O mouro é ingênuo e se torna alvo fácil da força satânica de Iago.

Iago: - “Neste momento, um velho bode negro está cobrindo vossa ovelha branca” (p.21). Simbolicamente o bode representa o erotismo. Mesmo estando ciente da castidade de Desdêmona, Iago procura desmoralizá-la, destruindo a imagem de “virgem bem-aventurada”. Por ciúmes, e manipulado por Iago, Otelo assassina Desdêmona.

Sob à luz de Kierkegaard (1991) verificamos que Iago se esconde sob à mascara da Hipocrisia. Para o filósofo, o hipócrita é o mau que quer parecer bom, para melhor enganar. Com um discurso irônico, Iago se autodefine: “não sou o que sou”.

Com Maquiavel (1513), podemos analisar a ingenuidade de Otelo : “os homens costumam julgar mais pelos olhos do que pelas mãos, uma vez que todos podem enxergar, mas poucos sabem sentir. Todos vêem o que tu pareces, poucos o que realmente és” (p.111).

Todavia, não só Shakespeare lançou mão de temas tão conturbados. Glória Perez, figurinha antiga deste blog, tratou de assuntos semelhantes em sua recente novela, Salve Jorge (2012): O ciúme patológico é exibido pela ótica da boderlaine (*) Aida, representada por Natalia do Vale, já a inveja é mostrada por meio do tenente Elcio, contracenado por Murilo Rosa.

Outra personagem marcante das telinhas brasileiras é a ciumenta Heloisa, representada por Giulia Gam em Mulheres Apaixonadas (2003) - trama de Manoel Carlos. Com este personagem, o autor aborda problemas relacionados a crises conjugais e apresenta ao telespectador o grupo de auxílio Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas), criado nos moldes dos Alcoólicos Anônimos.

O ciúmes a a inveja realmente são temas ricos, e que rendem muitas histórias. Porém, fica a pergunta: Até quando estaremos dispostos a morrer e a matar por amor? Devemos ser fracos como Otelo, ou devemos enfrentar nossos ‘monstros psíquicos’ e saírmos vencedores na vida?

Há quem assuma o hino: “vencer, vencer, vencer”, “sempre amado”, e particularmente me confesso: fã!

(*) quer saber sobre o transtorno boderlaine? Leia o livro: "Corações descontrolados – Ciúmes, raiva, impulsividade, o jeito boderlaine de ser", de autoria da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva.

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