Bullying e ensino público no Brasil



Que drama se tornou o assunto bullying depois das políticas educacionais do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) no contexto dos anos entre 1992-2008. Neste período grandes progressos foram alcançados no que tange ao acesso a diferentes níveis de ensino e da reorganização do sistema educacional promovida a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.  Entretanto, vale destacar, que o ponto forte de adesão das comunidades envolvidas foi sem dúvida alguma o programa educacional Bolsa Escola, idealizado por Cristovam Buarque enquanto reitor e professor da UnB no ano de 1986.

Antes de tudo, quero deixar claro que o objetivo deste artigo não é fazer críticas frente aos programas de inclusão educacional, longe disto, a minha intenção é apenas abrir o debate. Costumo dizer que a base da educação vem do berço, ou seja, da família, do pai, da mãe ou responsável direto pela criação dos filhos. Por que falo disso, e o que tem a ver a inclusão educacional com a prática de Bullying? Tudo e nada.

Nada: Pesquisado desde os anos 80 na Europa, o assunto Bullying faz distinção entre as brincadeiras naturais e saudáveis, peculiares da vida estudantil, daquelas que possuem conotação de crueldade e ultrapassam todos os limites de respeito pelo colega. De acordo com o artigo, BULLYING: PERIGO NO TERRITÓRIO ESCOLAR, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, brincadeiras escolares acontecem de forma natural e espontânea entre os alunos. “Eles brincam, "zoam", colocam apelidos uns nos outros, tiram "sarros" dos demais e de si mesmos, dão muitas risadas e se divertem. No entanto, quando as "brincadeiras" são realizadas repletas de "segundas intenções" e de perversidades, elas se tornam verdadeiros atos de violência que ultrapassam os limites suportáveis de qualquer um”. Estas brincadeiras sejam naturais ou perversas são comuns entre os jovens de todas as classes sociais, todavia...  

Tudo: Com a inclusão educacional advinda por meio do “Bolsa Escola”, as diferenças de classe social entre os indivíduos de uma mesmo ambiente escolar ficou gritante. Muitos dizem que neste período houve grande degradação da qualidade do ensino. Ora, vejamos, numa mesma classe em uma escola pública vamos encontrar alunos de classe média e alunos das classes sociais menos favorecidas como os pertencentes das classes D até H. Estes alunos vieram despreparados e não conseguiram seguir o mesmo ritmo dos demais alunos. Não houve repetência nem evasão? Não. Por quê? Devido ao “Ensino Plural” e similares, diretrizes estas que pregam a não repetência, e assim sendo, não haveria o porquê da evasão.

Sabemos, historicamente, que nas diferenças entre classes sociais sempre houveram divergências, preconceitos e discriminações, tanto de um lado como de outro. Todavia, a educação de “berço”, aquela que recebemos de nossos pais, desequilibra a questão.

Os alunos de classes sociais menos favorecidas vieram de famílias desestruturadas, moradores de inapropriadas habitações, muitas vezes vivendo em ambiente insalubre sem água encanada, esgoto e luz. Seus pais não receberam educação formal; muitos estão desempregados, outros tantos alcoólatras e consumidores de drogas ilícitas, e tantos outros ligados ao crime organizado. Estes alunos não encontram estímulo ao estudo, tudo que querem, na maioria das vezes, são a bolsa e a merenda.

Os professores estavam preparados para a inclusão? Não. Então, por isso e desde então, temos ouvido muitas histórias de desrespeito a professores, violência entre alunos, porte ilegal de armas, e impressionante: consumo e comércio de drogas ilícitas dentro do próprio ambiente escolar.

O que isto tem a ver com a crescente onda de Bullying nas escolas brasileiras? Deixo o desafio: Respondam vocês! 

Quer saber sobre Bullying? Leiam o livro da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva: "Bullying - Mentes Perigosas nas Escolas", editora Fontanar. Nas melhores livrarias do país!

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